CURSO

Marx + Deleuze: Capitalismo & Subjetividade

19, 20, 21, 22 de Dezembro
Segunda, Terça, Quarta e Quinta
19h às 22h

Carga horária: 12 horas

Número de participantes:
até 50 alunos

Módulo Único
R$40,00

 

Formas de Pagamento - via Sympla

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  • Débito
  • Boleto Bancário

Local

GUAJA - Av. Afonso Pena, 2881 - Funcionários, Belo Horizonte, MG

Dúvidas:
cursos@guaja.cc     
+55 (31) 2127 1517

 

Compreensivelmente, a teoria filosófica, política e social de Karl Marx precisa ser repensada. Precisa sê-lo a partir do movimento real que define o que de mais vivo, antagonista e criativo produz o mundo hoje. Este curso parte de um ponto de vista prospectivo sobre essas transformações. Não é que o capitalismo tenha se disseminado a ponto de capturar e neutralizar por inteiro as lutas, os sujeitos, as revoluções: é que os conceitos de luta, sujeito e revolução mudaram nos 150 anos que nos separam da pesquisa marxiana. Além de Karl Marx (com F. Engels), vamos nos apoiar na obra de Gilles Deleuze e Felix Guattari, um dueto de pensadores dos mais expressivos e fecundos do século 20, que se dedicou a examinar o processo do capital em livros como "O Anti-Édipo" e "Mil Platôs". Portanto, vamos estudar não somente o funcionamento do capitalismo contemporâneo, como também as tendências de ruptura e êxodo, que marcam a produção de subjetividade em nosso tempo.

RESUMO

O professor Bruno Cava promoverá um curso em quatro aulas, concentrado na análise do capitalismo sob o ponto de vista da produção de subjetividade, tomando como fio condutor o livro "O Anti-Édipo" (1972), por Gilles Deleuze e Felix Guattari, bem como a obra filosófica de Karl Marx e F. Engels, no que serão desdobrados os seus métodos, conceitos e problemáticas.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

Entre as manufaturas de tecidos e as fábricas de alfinetes da época da primeira revolução industrial e o mundo informatizado, automatizado e financeirizado das metrópoles globais do século 21, o capitalismo passou por transformações muito impactantes, com a emergência de novos processos e fenômenos. O capital não pode existir senão na contínua revolução dos meios da produção e, em consequência, das relações sociais que a determinam, num permanente abalo e agitação que dissolve as formas de poder e com elas as ideias dominantes de um tempo. "Tudo o que é sólido desmancha no ar": no âmago da velha sociedade já se formam os gérmenes de uma nova e "a dissolução das velhas ideias acompanha a reorganização das condições de existência". O movimento de contínua revolução do capital embute poderes infernais que o feiticeiro não pode controlar e que precisam ser governados para que o sistema como um todo não ceda diante das pressões de que ele próprio precisa. Uma epidemia, maior do que em qualquer época, se abate sobre o mundo na figura de sucessivas crises: grandes deslocamentos populacionais, guerra civil, refugiados, miséria, catástrofe social e ambiental. Entretanto, não há poder do capital sem uma resistência que lhe seja primeira nem classe trabalhadora sem um impulso imediato de transição para fora dos confinamentos desse poder. É preciso perscrutar a positividade que está contida nos atritos internos à relação do capital, como pontos de partida reais de sua superação. A crítica deve se fazer imanente. Os elementos para uma nova sociedade não têm como surgir prontos da cabeça dos utopistas, das entranhas da sociedade capitalista eles se debatem para nascer, precários e incertos, da placenta das lutas. Os antagonismos tracionam o desenvolvimento do capital ao intensificar as tensões explosivas, as recusas, os devires inesperados, a fuga polimorfa e afirmativa ante os aparelhos de exploração, comando e captura. Até que ponto esse tensionamento crítico entre a sociedade de controle a tendência esquizonomádica pode suportar o giro da máquina de lucro e acumulação sem permitir que os fluxos de mais-valor escoem irreversivelmente? Até quando a acelerada socialização da produção em processos maquínicos cada vez mais integrados e globalizados será capaz de conter o turbilhão de potência social criativa em franco desejo de autonomia?
 

BIBLIOGRAFIA ESSENCIAL

1) "O Anti-Édipo" (versão brasileira pela ed. 34), de Gilles Deleuze & Felix Guattari;
2) "Fragmento sobre as máquinas", que compõe os "Grundrisse", de Karl Marx;
3) "Tratado de nomadologia: a máquina de guerra", parte 12 de "Mil Platôs", de Gilles Deleuze e Felix Guattari (no Brasil, está no "Vol. V" pela ed. 34).

Obs.: Estas leituras não são obrigatórias, pode-se acompanhar o curso apenas participando das aulas.

PROFESSOR

Bruno Cava é pesquisador associado à Rede Universidade Nômade (www.uninomade.net), pesquisa há cerca de 10 anos movimentos e lutas urbanas, é mestre em filosofia do direito pela UERJ, graduado em direito e engenharia (UERJ e ITA), autor de "A multidão foi ao deserto" (AnnaBlume, 2013), entre outros livros, e traduziu "Marx além de Marx" (Autonomia, 2016), de Antonio Negri, coeditor da Revista Lugar Comum, publica artigos em diversos sites, periódicos e revistas, como Chimère, Multitudes, The Guardian, Le Monde Diplomatique, Alfabeta2, Al Jazeera, South Atlantic Quarterly, Direito e Práxis. Ministrou, no segundo semestre de 2015 e no primeiro de 2016, um curso semelhante, mais longo, no Museu da República (Rio de Janeiro), e no segundo de 2016, na Casa de Rui Barbosa, tendo sido concluído por um total de 160 alunos em três turmas diferentes.

OBSERVAÇÕES

  • O GUAJA se reserva ao direito de adiar ou cancelar o curso caso não haja quorum mínimo de participantes e o valor pago será devolvido integralmente.
  • Em caso de cancelamento pelo GUAJA, os inscritos serão avisados com antecedência de no mínimo 36 horas antes da data do curso (através de e-mail e/ou telefone) e os valores pagos pela inscrição serão devolvidos integralmente.
  • Desistência ou Cancelamento de Inscrição pelos interessados:
    Deve ser comunicada em até 5 dias antes do curso e a devolução da inscrição será integral. Posterior a este período, e/ou na ausência do aluno sem comunicação prévia, não haverá a devolução dos valores pagos.